blog para as várias palavras e narrativas que constantemente surgem na minha mente. Palavras que escapam ao controle. Palavras que expressam e voam. O espaço é de liberdade... Esta é a promessa... agora, ficamos na espera...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Arco-íris
Estava eu olhando para o céu vendo um lindo arco-íris. Comentei com uma moça que estava ao meu lado: bonito, né? Ela sorriu e me perguntou: você sabe o verdadeiro significado dele? Eu respondi rapidamente, tentando ser bem humorada: claro, casamento de viúva! Como ela olhou de forma estranha, expliquei: sol e chuva, casamento de viúva! Ela insistiu: não, o "verdadeiro" significado! Fiquei pensando, e respondi séria: bom, são raios de luz refletidos nas gotas de água. E ela insistiu: não, o verdadeiro significado! Bom, diante de tantos erros eu desisti e perguntei a ela qual era o verdadeiro significado do arco-íris. E ela, feliz, me revelou baixinho: Isso é a garantia de Deus de que o mundo não sofrerá um dilúvio novamente... Um silêncio tomou conta da conversa. Fiquei alguns segundos olhando para ela e imaginando como transformaria essa conversa numa narrativa.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Coletividade individual
O coletivo não é a soma das individualidades. O coletivo é algo único que acontece quando os indivíduos se comunicam de verdade e interagem de maneira desprendida o suficiente para criar algo diferente deles mesmos.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Alfredo e a outra
Alfredo conheceu a mulher da sua vida. Ela era tudo que imaginava. A mulher perfeita. Era quase inacreditável que houvesse mulher assim. Claro, casou-se com ela. Depois de um tempo, veio a desconfiança. Ele começou a perceber que talvez houvesse algo errado. Começou a observar melhor até que percebeu que ela não era aquela mulher da sua imaginação, ela não era a sua mulher perfeita. Ela era uma "outra". Era uma mulher normal e resultado de outras idéias que não as suas. Alfredo a processou por propaganda enganosa.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Menos tempo, mais espaço
A Internet mudou a nossa relação com o tempo. Somos imediatistas, aliás, ultra imediatistas. Acabamos de enviar um email e esperamos uma resposta imediata. Não temos tempo e não damos tempo ao outro. Se ligamos para alguém no celular, principalmente se for da familia, queremos que atenda imediatamente. Algumas chamadas não atendidas levam o pensamento a criar várias possíveis catástrofes. O tempo da comunicação foi extremamente reduzido.
O espaço, ao contrário, ampliado. A tecnologia de computadores criou novos espaços, eu nem diria virtuais de tão reais que são. Eu por exemplo, não preciso de um escritório, me basta o notebook. Sem ele, eu não tenho espaço. Uma caneta e uma folha em branco não são suficientes para mim. Preciso ver a tela, ver os arquivos, ver minha agenda. Eu sobrevivo nesse espaço infinito que vejo na tela do meu computador. E o meu HD? É uma caixinha pequena, parece um celular, mas, nele tenho toda minha trajetória. Perdê-lo seria como o incêndio no laboratório de Thomas Edison (sem o despreendimento dele). Eu tenho até uma mini videolocadora digital. Aos poucos cedo espaço das prateleiras tirando de lá os VHSs e transformando-os em bits. O espaço físico diminui e o "virtual" aumenta. Tenho um amigo que carrega um pen-drive no bolso no qual tem vários filmes. E perguntamos pra ele: e aí, o que vamos assistir hoje? Ele tira o pen drive e diz: é só escolher. É a sua locadora portátil. O tempo e o espaço não são mais os mesmos. As tecnologias, dentre outras mudanças, atuam diretamente na vida cotidiana, criando novos hábitos, novos espaços, novos tempos e novos olhares.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Ano Novo
Começos e términos. Continuidades e rupturas. Fim de um ciclo, início de outro. Fim do ano, fim de muitas coisas... Com o fim, o necessário recomeço. Com o recomeço, novas oportunidades. Para muitos, o fim do ano é o momento de fazer planos de transformações, acertos de rotas, mudanças de caminhos. Mas, não é apenas o ano que termina. Também o dia acaba. Podemos aproveitar a oportunidade de cada novo dia para repensar nossa trajetória e ter a felicidade de saber estar no caminho certo ou a chance de acertar os ângulos.
Igualdade
Ainda a Formatura. No meio da confusão, fui parabenizar um dos estudantes que, tendo dislexia, apresentou muitas dificuldades ao longo do ano. No entanto, foi persistente e demonstrou grande força de superação. Assistir à sua mudança, à melhora da sua escrita foi muito emocionante. Assim, vê-lo ali, se formando na oitava série, foi lindo. Eu queria que ele soubesse o quanto admirava a sua força e o parabenizava por isso. Assim fiz, dei-lhe os parabéns. E ele, como sempre, inusitado, respondeu algo que me deixou feliz: “parabéns por quê?” Sem jeito, respondi, “por ter se formado”. E ele continuou: “isso é normal. Não tem nada demais”. E me respondeu de forma que percebi que havia ali uma bandeira. “É, é verdade”. Respondi. Mais uma vez, ele estava lutando para manter a sua igualdade. Ele não quer se sentir diferente e nem ser tratado como tal.
E vence a gentileza
No momento da formatura das oitavas séries do ensino fundamental e da terceira série do ensino médio, pude perceber ali o resultado do que cultivamos ao longo do ano. E percebi que talvez não tenha conseguido de fato estabelecer uma boa relação com meus alunos. Dei aula para quase todas as turmas, e, apenas uma reconheceu, naquele momento, o meu trabalho. Ao observar as homenagens feitas aos outros professores, percebi o que era valorizado pelos alunos. E algo ficou muito claro: eles reconhecem o amor, a gentileza, a atenção e a dedicação. Os professores homenageados se encaixavam nesse perfil. Fiquei feliz por isso. Na verdade, o que mais importou para os alunos, na escolha de seus professores mais significativos, foram qualidades que admiro muito nas pessoas e que, nem sempre, consigo manifestar. E a maior delas é a preocupação, manifesta com amor e gentileza, com o outro. Não importa tanto o conhecimento, importa o amor e a compaixão. Para lecionar, não basta saber o que ensinar, é preciso ter algo mais.
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