terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Criação de um olho


Tirei esta foto... e, de maneira interessante, apareceu um olho no meio, formado pela interação entre a luz e a matéria. 

Sincericídio

Descobri o novo diagnóstico para a velha doença do sincericídio. Eu sofro deste mal e fui diagnosticada por uma grande amiga. Estava conversando com ela certo dia e comentei: "você acredita que nunca fui bem avaliada em nenhuma das entrevistas pelas quais passei?". Uma outra amiga, que ouvia nossa conversa, não acreditou e me olhou espantada dizendo que eu era uma pessoa tão comunicativa e competente, como poderia não ser bem avaliada (na visão dela...). Pois é, respondi. É verdade... e passei a narrar todas as minhas experiências frustradas... Depois da longa narrativa, sem esquecer da minha dose de ironia enfocando as besteiras que falei e/ou fiz, minha grande amiga me olhou e, sem sombra de dúvidas, proferiu o diagnóstico: sincericídio. Heim?! "É, minha querida... esta é você... e você sofre deste mal. Não se preocupe, existem muitos outros com a mesma doença..." Depois disso pensei até em montar uma ASD (Associação dos Sincericidas Declarados)... claro que não poderiam ser anônimos!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Terceirização da responsabilidade

Um dia desses, numa reunião na Escola, ouvi esta expressão: terceirização da responsabilidade. Adorei. Numa época em que tudo é terceirizado, o termo pareceu-me descrever muito bem uma postura muito comum entre nós, seres humanos. Parece que culpamos a todos por nossos problemas, nossas misérias, nossos fracassos e desilusões. Mas, na mesma medida em que terceirizamos responsabilidades, há discursos por todos os lados que nos apontam para o contrário: somos responsáveis pelo nosso lixo, pela poluição, pelo futuro do planeta, nos dizem os ambientalistas. Somos responsáveis por nossas dívidas, nos dizem nossos credores. Somos responsáveis por nossos olhares, nos dizem os físicos quânticos. E somos responsáveis por todos os nossos carmas, nos dizem os budistas. Terceirizar não vai resolver os problemas...

domingo, 1 de maio de 2011

De novo Alfredo

Alfredo casou-se novamente. Está levemente feliz, mas meio desconfiado. Tem medo de ser novamente enganado. Ele anda calado mas observando atentamente aquela pessoa ao seu lado. Também tem notado que ela comete muitos erros. Parece que tudo que ela faz é errado. Ele não consegue entendê-la. Como pode uma pessoa errar tanto?
Ela, que se chama Annamaria (tudo junto) aceitou casar-se por falta de opção apesar da leve esperança de felicidade. Ela se esforça para agradar Alfredo. "Mas o Alfredo é uma pessoa muito insatisfeita, nada que eu faço ele gosta". Um dia, ela estava sentada na cozinha e imaginou-se voltando no tempo. Ela havia preparado um prato especial para comemorar o dia do casamento. Alfredo entrou e reclamou que a toalha de mesa era inadequada. "Não tem outra mais bonita?". Ora, que comentário inadequado diante da expectativa de um momento agradável. Annamaria decide refazer a situação. Ela troca a toalha de mesa e o espera. Alfredo entra e reclama: não tem nada para beber? Annamaria não quer perder aquele momento, não quer que nada o estrague. Ela refaz a situação: compra a bebida favorita de Alfredo. Quando ele entra, ele reclama: nossa, mas você não acha que essa comida é muito pesada para esse horário? Annamaria refez a situação por várias e várias vezes "consertando" os pequenos problemas encontrados por Alfredo. Mas, nada adiantou. Alfredo está acostumado a encontrar defeitos e erros em tudo que está a sua volta. Annamaria compreendeu que nada do que ela fizesse seria suficiente. Desistiu. Resignou-se e continuou tendo paciência com as reclamações... Mas, não sabemos até quando ela vai conseguir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Arco-íris

Estava eu olhando para o céu vendo um lindo arco-íris. Comentei com uma moça que estava ao meu lado: bonito, né? Ela sorriu e me perguntou: você sabe o verdadeiro significado dele? Eu respondi rapidamente, tentando ser bem humorada: claro, casamento de viúva! Como ela olhou de forma estranha, expliquei: sol e chuva, casamento de viúva! Ela insistiu:  não, o "verdadeiro" significado! Fiquei pensando, e respondi séria: bom, são raios de luz refletidos nas gotas de água. E ela insistiu: não, o verdadeiro significado! Bom, diante de tantos erros eu desisti e perguntei a ela qual era o verdadeiro significado do arco-íris. E ela, feliz, me revelou baixinho: Isso é a garantia de Deus de que o mundo não sofrerá um dilúvio novamente... Um silêncio tomou conta da conversa. Fiquei alguns segundos olhando para ela e imaginando como transformaria essa conversa numa narrativa.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Coletividade individual

O coletivo não é a soma das individualidades. O coletivo é algo único que acontece quando os indivíduos se comunicam de verdade e interagem de maneira desprendida o suficiente para criar algo diferente deles mesmos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Alfredo e a outra

Alfredo conheceu a mulher da sua vida. Ela era tudo que imaginava. A mulher perfeita. Era quase inacreditável que houvesse mulher assim. Claro, casou-se com ela. Depois de um tempo, veio a desconfiança. Ele começou a perceber que talvez houvesse algo errado. Começou a observar melhor até que percebeu que ela não era aquela mulher da sua imaginação, ela não era a sua mulher perfeita. Ela era uma "outra". Era uma mulher normal e resultado de outras idéias que não as suas. Alfredo a processou por propaganda enganosa.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Menos tempo, mais espaço

A Internet mudou a nossa relação com o tempo. Somos imediatistas, aliás, ultra imediatistas. Acabamos de enviar um email e esperamos uma resposta imediata. Não temos tempo e não damos tempo ao outro. Se ligamos para alguém no celular, principalmente se for da familia, queremos que atenda imediatamente. Algumas chamadas não atendidas levam o pensamento a criar várias possíveis catástrofes. O tempo da comunicação foi extremamente reduzido.
O espaço, ao contrário, ampliado. A tecnologia de computadores criou novos espaços, eu nem diria virtuais de tão reais que são. Eu por exemplo, não preciso de um escritório, me basta o notebook. Sem ele, eu não tenho espaço. Uma caneta e uma folha em branco não são suficientes para mim. Preciso ver a tela, ver os arquivos, ver minha agenda. Eu sobrevivo nesse espaço infinito que vejo na tela do meu computador. E o meu HD? É uma caixinha pequena, parece um celular, mas, nele tenho toda minha trajetória. Perdê-lo seria como o incêndio no laboratório de Thomas Edison (sem o despreendimento dele). Eu tenho até uma mini videolocadora digital. Aos poucos cedo espaço das prateleiras tirando de lá os VHSs e transformando-os em bits. O espaço físico diminui e o "virtual" aumenta. Tenho um amigo que carrega um pen-drive no bolso no qual tem vários filmes. E perguntamos pra ele: e aí, o que vamos assistir hoje? Ele tira o pen drive e diz: é só escolher. É a sua locadora portátil. O tempo e o espaço não são mais os mesmos. As tecnologias, dentre outras mudanças, atuam diretamente na vida cotidiana, criando novos hábitos, novos espaços, novos tempos e novos olhares.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo

Começos e términos. Continuidades e rupturas. Fim de um ciclo, início de outro. Fim do ano, fim de muitas coisas... Com o fim, o necessário recomeço. Com o recomeço, novas oportunidades. Para muitos, o fim do ano é o momento de fazer planos de transformações, acertos de rotas, mudanças de caminhos. Mas, não é apenas o ano que termina. Também o dia acaba. Podemos aproveitar a oportunidade de cada novo dia para repensar nossa trajetória e ter a felicidade de saber estar no caminho certo ou a chance de acertar os ângulos.

Igualdade

Ainda a Formatura. No meio da confusão, fui parabenizar um dos estudantes que, tendo dislexia, apresentou muitas dificuldades ao longo do ano. No entanto, foi persistente e demonstrou grande força de superação. Assistir à sua mudança, à melhora da sua escrita foi muito emocionante. Assim, vê-lo ali, se formando na oitava série, foi lindo. Eu queria que ele soubesse o quanto admirava a sua força e o parabenizava por isso. Assim fiz, dei-lhe os parabéns. E ele, como sempre, inusitado, respondeu algo que me deixou feliz: “parabéns por quê?” Sem jeito, respondi, “por ter se formado”. E ele continuou: “isso é normal. Não tem nada demais”. E me respondeu de forma que percebi que havia ali uma bandeira. “É, é verdade”. Respondi. Mais uma vez, ele estava lutando para manter a sua igualdade. Ele não quer se sentir diferente e nem ser tratado como tal.


E vence a gentileza

No momento da formatura das oitavas séries do ensino fundamental e da terceira série do ensino médio, pude perceber ali o resultado do que cultivamos ao longo do ano. E percebi que talvez não tenha conseguido de fato estabelecer uma boa relação com meus alunos. Dei aula para quase todas as turmas, e, apenas uma reconheceu, naquele momento, o meu trabalho. Ao observar as homenagens feitas aos outros professores, percebi o que era valorizado pelos alunos. E algo ficou muito claro: eles reconhecem o amor, a gentileza, a atenção e a dedicação. Os professores homenageados se encaixavam nesse perfil. Fiquei feliz por isso. Na verdade, o que mais importou para os alunos, na escolha de seus professores mais significativos, foram qualidades que admiro muito nas pessoas e que, nem sempre, consigo manifestar. E a maior delas é a preocupação, manifesta com amor e gentileza, com o outro. Não importa tanto o conhecimento, importa o amor e a compaixão. Para lecionar, não basta saber o que ensinar, é preciso ter algo mais.

A flor solitária

2010 foi o meu primeiro ano de docência no ensino básico. Nunca tinha enfrentado turmas lotadas e barulhentas de adolescentes e pré-adolescentes, cheios de energia. Foi um ano de muito aprendizado, mas também de muitas dificuldades e superações. Finalmente, chegamos em dezembro. Mal esperava pelas férias merecidas. O cotidiano de um professor é desgastante, e as férias são desejadas. Junto com o final de ano, veio a formatura. A minha primeira formatura. Para a minha surpresa, fui convidada a ser paraninfa de uma das oitavas séries. Fiquei feliz. No entanto, diferente dos professores homenageados, não recebi nenhuma flor, entregue apenas aos homenageados. Ao final do evento, surpreendentemente, uma aluna veio em minha direção, com uma rosa na mão, e me entregou. Ela agradeceu e me deu um abraço. Ganhei a noite. Um gesto espontâneo também é revelador.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Palavras em escape

Criei este blog para as várias palavras e narrativas que constantemente surgem na minha mente. Palavras que escapam ao controle. Esta é a idéia. Palavras que expressam e voam. O espaço é de liberdade... é o céu para as palavras voarem... Esta é a promessa... agora, ficamos na espera...