A Internet mudou a nossa relação com o tempo. Somos imediatistas, aliás, ultra imediatistas. Acabamos de enviar um email e esperamos uma resposta imediata. Não temos tempo e não damos tempo ao outro. Se ligamos para alguém no celular, principalmente se for da familia, queremos que atenda imediatamente. Algumas chamadas não atendidas levam o pensamento a criar várias possíveis catástrofes. O tempo da comunicação foi extremamente reduzido.
O espaço, ao contrário, ampliado. A tecnologia de computadores criou novos espaços, eu nem diria virtuais de tão reais que são. Eu por exemplo, não preciso de um escritório, me basta o notebook. Sem ele, eu não tenho espaço. Uma caneta e uma folha em branco não são suficientes para mim. Preciso ver a tela, ver os arquivos, ver minha agenda. Eu sobrevivo nesse espaço infinito que vejo na tela do meu computador. E o meu HD? É uma caixinha pequena, parece um celular, mas, nele tenho toda minha trajetória. Perdê-lo seria como o incêndio no laboratório de Thomas Edison (sem o despreendimento dele). Eu tenho até uma mini videolocadora digital. Aos poucos cedo espaço das prateleiras tirando de lá os VHSs e transformando-os em bits. O espaço físico diminui e o "virtual" aumenta. Tenho um amigo que carrega um pen-drive no bolso no qual tem vários filmes. E perguntamos pra ele: e aí, o que vamos assistir hoje? Ele tira o pen drive e diz: é só escolher. É a sua locadora portátil. O tempo e o espaço não são mais os mesmos. As tecnologias, dentre outras mudanças, atuam diretamente na vida cotidiana, criando novos hábitos, novos espaços, novos tempos e novos olhares.


