quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Menos tempo, mais espaço

A Internet mudou a nossa relação com o tempo. Somos imediatistas, aliás, ultra imediatistas. Acabamos de enviar um email e esperamos uma resposta imediata. Não temos tempo e não damos tempo ao outro. Se ligamos para alguém no celular, principalmente se for da familia, queremos que atenda imediatamente. Algumas chamadas não atendidas levam o pensamento a criar várias possíveis catástrofes. O tempo da comunicação foi extremamente reduzido.
O espaço, ao contrário, ampliado. A tecnologia de computadores criou novos espaços, eu nem diria virtuais de tão reais que são. Eu por exemplo, não preciso de um escritório, me basta o notebook. Sem ele, eu não tenho espaço. Uma caneta e uma folha em branco não são suficientes para mim. Preciso ver a tela, ver os arquivos, ver minha agenda. Eu sobrevivo nesse espaço infinito que vejo na tela do meu computador. E o meu HD? É uma caixinha pequena, parece um celular, mas, nele tenho toda minha trajetória. Perdê-lo seria como o incêndio no laboratório de Thomas Edison (sem o despreendimento dele). Eu tenho até uma mini videolocadora digital. Aos poucos cedo espaço das prateleiras tirando de lá os VHSs e transformando-os em bits. O espaço físico diminui e o "virtual" aumenta. Tenho um amigo que carrega um pen-drive no bolso no qual tem vários filmes. E perguntamos pra ele: e aí, o que vamos assistir hoje? Ele tira o pen drive e diz: é só escolher. É a sua locadora portátil. O tempo e o espaço não são mais os mesmos. As tecnologias, dentre outras mudanças, atuam diretamente na vida cotidiana, criando novos hábitos, novos espaços, novos tempos e novos olhares.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo

Começos e términos. Continuidades e rupturas. Fim de um ciclo, início de outro. Fim do ano, fim de muitas coisas... Com o fim, o necessário recomeço. Com o recomeço, novas oportunidades. Para muitos, o fim do ano é o momento de fazer planos de transformações, acertos de rotas, mudanças de caminhos. Mas, não é apenas o ano que termina. Também o dia acaba. Podemos aproveitar a oportunidade de cada novo dia para repensar nossa trajetória e ter a felicidade de saber estar no caminho certo ou a chance de acertar os ângulos.

Igualdade

Ainda a Formatura. No meio da confusão, fui parabenizar um dos estudantes que, tendo dislexia, apresentou muitas dificuldades ao longo do ano. No entanto, foi persistente e demonstrou grande força de superação. Assistir à sua mudança, à melhora da sua escrita foi muito emocionante. Assim, vê-lo ali, se formando na oitava série, foi lindo. Eu queria que ele soubesse o quanto admirava a sua força e o parabenizava por isso. Assim fiz, dei-lhe os parabéns. E ele, como sempre, inusitado, respondeu algo que me deixou feliz: “parabéns por quê?” Sem jeito, respondi, “por ter se formado”. E ele continuou: “isso é normal. Não tem nada demais”. E me respondeu de forma que percebi que havia ali uma bandeira. “É, é verdade”. Respondi. Mais uma vez, ele estava lutando para manter a sua igualdade. Ele não quer se sentir diferente e nem ser tratado como tal.


E vence a gentileza

No momento da formatura das oitavas séries do ensino fundamental e da terceira série do ensino médio, pude perceber ali o resultado do que cultivamos ao longo do ano. E percebi que talvez não tenha conseguido de fato estabelecer uma boa relação com meus alunos. Dei aula para quase todas as turmas, e, apenas uma reconheceu, naquele momento, o meu trabalho. Ao observar as homenagens feitas aos outros professores, percebi o que era valorizado pelos alunos. E algo ficou muito claro: eles reconhecem o amor, a gentileza, a atenção e a dedicação. Os professores homenageados se encaixavam nesse perfil. Fiquei feliz por isso. Na verdade, o que mais importou para os alunos, na escolha de seus professores mais significativos, foram qualidades que admiro muito nas pessoas e que, nem sempre, consigo manifestar. E a maior delas é a preocupação, manifesta com amor e gentileza, com o outro. Não importa tanto o conhecimento, importa o amor e a compaixão. Para lecionar, não basta saber o que ensinar, é preciso ter algo mais.

A flor solitária

2010 foi o meu primeiro ano de docência no ensino básico. Nunca tinha enfrentado turmas lotadas e barulhentas de adolescentes e pré-adolescentes, cheios de energia. Foi um ano de muito aprendizado, mas também de muitas dificuldades e superações. Finalmente, chegamos em dezembro. Mal esperava pelas férias merecidas. O cotidiano de um professor é desgastante, e as férias são desejadas. Junto com o final de ano, veio a formatura. A minha primeira formatura. Para a minha surpresa, fui convidada a ser paraninfa de uma das oitavas séries. Fiquei feliz. No entanto, diferente dos professores homenageados, não recebi nenhuma flor, entregue apenas aos homenageados. Ao final do evento, surpreendentemente, uma aluna veio em minha direção, com uma rosa na mão, e me entregou. Ela agradeceu e me deu um abraço. Ganhei a noite. Um gesto espontâneo também é revelador.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Palavras em escape

Criei este blog para as várias palavras e narrativas que constantemente surgem na minha mente. Palavras que escapam ao controle. Esta é a idéia. Palavras que expressam e voam. O espaço é de liberdade... é o céu para as palavras voarem... Esta é a promessa... agora, ficamos na espera...